Importa ser elegante com sobriedade, saber portar-se e ver a moda como uma exteriorização do interior. Deve a mulher não ser desleixada (como se só o interior importasse), mas também não ser obcecada por andar sempre na última moda sem critério algum. E, ao buscar a modéstia, não deixará de ser contemporânea.

Sobre

“Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que recebestes de Deus, e que não vos pertenceis? (...)
Glorificai, portanto, a Deus no vosso corpo.”
(1Cor 6,19-20)

“Do mesmo modo, quero que as mulheres usem traje honesto, ataviando-se com modéstia e sobriedade.”
(1 Tm 2,9)

Meu nome é Aline Rocha Taddei Brodbeck, sou casada, mãe de três filhos, advogada e professora.

Sendo católica de verdade, praticante, fiel ao Magistério da Igreja, procuro me vestir de um modo que agrade a Deus. Gaúcha, natural de Encantado, mas criada em Piratini e Pelotas. Já morei no Itaqui, e agora resido em Santa Vitória do Palmar, sempre no Rio Grande do Sul, onde meu marido é delegado de Polícia.

Sou completamente apaixonada pela minha família.

Meu e-mail para contato é alinetaddeibrodbeck@gmail.com

Sempre gostei de moda e me incomodava o jeito com a vulgaridade e a falta de decência nas vestimentas tomaram conta das passarelas e de nosso dia a dia, demonstrando uma incompreensão quanto à dignidade da mulher. Como dizia o Papa Pio XII, muitas mulheres “perderam o próprio conceito de perigo, o instinto da modéstia.” 

Por outro lado, o tema da modéstia pode ser prejudicado por uma visão que não leva em conta a contemporaneidade, ficar preso às circunstâncias de um tempo que não existe mais, e criar um recato caricato.

“Moda e modéstia deveriam caminhar juntas como duas irmãs, porque ambos os vocábulos tem a mesma etimologia; do latim ‘modus’, quer dizer, a reta medida, além e aquém da qual não se pode encontrar o justo.” (Pio XII)

O blog surgiu a partir de minhas reflexões sobre o estado da feminilidade atual, e sobre a necessidade de ser modesta sem ser brega ou antiquada, e ser moderna e fashion sem ser escrava das tendências e do que a indústria da moda nos empurra.

Deus, aos nos criar mulheres, nos fez diferentes e essa diferença não pode ser anulada por uma concepção extremista do pudor, negando o que é propriamente feminino no nosso corpo, que é bom. Parece-me que, por vezes, estamos entre dois exageros: a exposição desmedida do corpo, em nome do falso princípio de que o que é bonito é para se mostrar, e a cobertura demasiada do corpo ou “enfeiamento” das vestes, em um desprezo não só da elegância e da pulcritude, como do próprio corpo, em uma noção um tanto gnóstica tão cara aos cátaros.

“Eu sou uma mulher acima de tudo.” (Jackie Kennedy) Com essa expressão, a viúva do presidente John Kennedy e, mais tarde, esposa do milionário grego Aristóteles Onassis, queria dizer que antes de ser primeira-dama, mãe, esposa, era uma mulher. Era essa sua essência, digamos assim. E porque era mulher, poderia ser primeira-dama, mãe e esposa. Mais, porque era mulher, poderia ser uma dama. Mulheres nascem, damas são feitas.


E o que é ser uma dama? Uma dama é uma mulher que se preocupa com os demais, sem descuidar de si mesma. É alguém que preza a higiene, a organização, o aparato externo, mas como expressão dos elementos internos, como manifestação do seu espírito, como extensão da caridade. É limpa de corpo porque é limpa de alma. Suas roupas são bem passadas, seus sapatos brilhantes, cada botão de sua vestimenta está no lugar, seu cabelo está impecável, seu porte é elegante, porque tudo isso indica uma altivez interior. Não se preocupa com exterior pelo exterior, nem faz da primazia do interior uma desculpa para o desleixo.



A dama, a lady, valoriza as boas maneiras como um modo de colocar os outros em primeiro lugar. “É essa maravilhosa idéia antiquada de que os outros vêm em primeiro lugar e você vem em segundo lugar. Esta foi a ética integral na qual eu fui criada.” (Audrey Hepburn) A etiqueta não é observada como um código de mera liturgia social sem significado. Ela guarda todas as regras de boas maneiras à mesa, na conversação, nas roupas, e procura seguir a etiqueta, não por seu valor em si mesmo, e sim porque com ela se desenvolve mais facilmente no cuidado com os outros e na estima da tradição. Tradição esta que não é mero apego ao passado, e sim tornar sempre vívidas as experiências positivas dos que viveram antes de nós. Com a etiqueta, a lady pode andar e se comportar com segurança, formando seu caráter, servindo ao próximo, e mantendo vivos os costumes dos ancestrais – seu patrimônio cultural, seus valores humanos e cristãos, sua sabedoria, e o opulento simbolismo de nossa civilização que expressam realidades transcendentes.

Bem diz o Prof. Carlos Ramalhete sobre o valor da tradição: “A conservação da sociedade passa pela conservação dos seus hábitos e saberes, pela percepção de que eles precisam ser retransmitidos e reensinados a cada nova geração. (...) Os valores expressos nos hábitos provados pelo tempo, contudo, trazem em si algo que permanece, algo que merece ser conservado e retransmitido de geração em geração.” (Conservadorismo ou lei da selva, in Gazeta do Povo, 05/04/2012) A dama sabe de sua profundíssima missão na conservação e transmissão desses hábitos, pela própria natureza feminina e seu papel como mãe, esposa e educadora.

Enfim, a dama é calma, é composta, é controlada por sua inteligência, ela é toda repouso e harmonia. Seus gestos são graciosos, sua figura transmite paz e serenidade, seu olhar é ao mesmo tempo inocente e astuto, seu comportamento tem ares aristocráticos até mesmo quando não pertence a uma elite social. A dama sabe o que fazer com suas mãos, sabe sorrir sem vulgaridade, sabe mexer-se, caminhar e dançar sem provocar reações desordenadas no outros, e encanta com sua própria presença feminina. A dama tem uma elegância na alma, que se revela nos olhos, e se expressa no modo como se porta e se veste.

“... O Papa defende vigorosamente o real poder de redenção para libertar o coração humano do domínio da luxúria, chamando homens e mulheres para um novo ethos.” (Christopher West)

Para adquirir tudo isso, precisa ser formada, precisa educar a vontade, precisa amar a disciplina e ter um profundo conhecimento de sua própria vocação.

O grande São Paulo da Cruz, em carta de 9 de março de 1760, adverte à sua dirigida Teresa Palozzi para que “guarde todos os seus sentidos, em especial os olhos, e também seu coração. Seja modestíssima e guarde a maior compostura de noite e de dia em todos os seus gestos. Deves amar e guardar a virtude da modéstia com o máximo zelo; não se fie em nada e, sobretudo, desconfie de si mesma.”

Margaret D. Nadauld não era católica. Era mórmon. Mas seu pensamento muito nos ajuda: “As mulheres de Deus jamais podem ser como mulheres do mundo. O mundo já tem muitas mulheres agressivas; precisamos de mulheres ternas.”

A proposta é juntar fé e elegância, para que a mulher seja graciosa, sofisticada e fiel. Quero que cada uma descubra sua verdadeira beleza, saiba que o estilo reflete quem você é, entenda a elegância vem de dentro e que o interior se manifesta no exterior. A elegância, se for meramente externa, é uma corrupção da verdadeira. É uma deterioração, uma distorção da legítima nobreza da alma, pois não se move pela caridade, não brota do espírito, não se manifesta no exterior como um sinal do interior: é o externo pelo externo, uma elegância puramente carnal. Ensina Santo Tomás que “as mulheres podem adornar-se licitamente para conservar a elegância de seu estado, e inclusive acrescentar algo para agradar a seus maridos.” (S. Th., II-II, q. 169, a. 2) 

A moda “periguete” ou “biscate” é reflexo de uma crise gravíssima na identidade feminina, um fruto do feminismo, que tanto combateu pelos direitos da mulher e que gerou, paradoxal mas necessariamente, a vulgarização da mulher por conta de um mal compreendido exercício desses mesmos direitos. Também é manifestação da imagem que a mulher tem de si mesmo, como se o atraente fosse a exposição desmedida de seu corpo. Como li em algum lugar, para algumas não basta ser graciosamente sexy, pois o objetivo é parecer modelo de capa de revista de gosto duvidoso ou madrinha de bateria em ensaio de escola de samba. “Certamente, uma mulher que veste roupa imoral pode condenar-se. E pode condenar-se, quer pelo pecado que comete ela mesma, quer por que causa a condenação de outras pessoas.” (São João Eudes) 


“Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços”, pontificou o célebre Sêneca, jurista romano nascido em 4 a.C, “mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.”

Os americanos têm uma expressão que considero ideal para uma das mensagens que devemos mandar, como damas, ao nos vestir: dress to impress.

“Não ande por ai mandando mensagens de que seu corpo é a melhor parte de você - implicando que seu coração, seus pensamentos e sua alma não sejam importantes. Ao invés disso, desperte com a sua modéstia, o desejo de conhecerem-na melhor.” (Crystalina Evert)


Atentemos à mensagem que nossas roupas passam. É importante que não sejamos desleixadas, isto é, que sejamos elegantes. Mas é ainda mais importante que não sejamos imodestas, isto é, que observemos o pudor. Um texto de Sheila Morataya-Fleishman nos fará refletir:

“A mulher elegante tem, sobretudo, pudor. O pudor é a tendência natural à reserva daquilo que é íntimo. Onde há intimidade brota o pudor.

A intimidade, por si mesmo se recata, se reserva, se oculta em seu próprio mistério, consciente do alto valor que possui. Porque estou convencida disso como mulher, é que, sim, me importa a largura que têm minhas roupas, a forma em que desnudo ou cubro meus ombros, e o detalhe ao usar uma veste que não fique de maneira excessivamente justa nas formas do meu corpo.

Por isso é que, na hora de ir em busca de um estilo pessoal, o qual só pode se manifestar com o tempo, é importante que nos perguntemos: em que creio? Que relação há entre o que creio e o que visto? Existe coerência entre o que digo e dou a entender na hora de vestir-me? Se pela primeira vez se apresentar, inesperadamente, diante de mim uma pessoa que admiro, me sentiria orgulhosa da impressão que lhe dei?” (La presencia que encanta)

A roupa modesta reflete o Cristo com o qual fomos revestidos no Batismo. De fato, com o pecado de nossos primeiros pais, ficamos nus, mas Jesus nos deu novas "vestes" espirituais: a graça. E essa graça, que nos é dada nos sacramentos, primeiramente no Batismo, deve se refletir em tudo em nossa vida. Ora, queremos símbolo mais eloquente da "veste" da graça do que a veste física? A roupa que protege o corpo sinalizando a graça que protege a alma?

“Fazei morrer em vossos membros tudo o que é terreno, a luxúria, a impureza, a paixão desordenada, aos maus desejos e também a avareza, que é uma espécie de idolatria. Estas coisas provocam a ira de Deus, e nelas também vós andáveis antes, quando viviam nelas” (Col 3,5-7)




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Um disclaimer:

Quando quero indicar uma roupa, faço em postagens do tipo “sugestões para o inverno” ou “roupa modesta para o trabalho”. Nos “modelos de elegância”, não estou indicando a roupa como modesta em si mesma, mas fazendo um apanhado geral das fotos quanto a esse quesito específico: elegância. Para que essas roupas e modelos, que são elegantes, sejam modestas, se pode adaptar. Por exemplo, um vestido um pouco curto, mas bonito, serve de modelo para que se tenha um parecido, mas, claro, mais longo. Ou uma blusa com um decote inapropriado pode ser mostrada porque é bonita e levando-se em consideração que se pode colocar um lenço sobre o colo, ou um casaco por cima, ou ainda que o decote não seja profundo. 

Vejam: no caso do post sobre a Katie Holmes, em momento algum estou recomendando que se use aquele primeiro vestido curtíssimo, tal como está, e sim que aquele vestido é, em geral, bonito, e que, corrigidos seus defeitos (o seu tamanho, por exemplo), ficará modesto. Pensei que tinha ficado claro isso, mas reconheço que talvez tenha passado outra mensagem, pelo que peço perdão. Aliás, é justamente por reconhecer que precise ser mais explícita que os próximos “modelos de elegância” levarão comentários em algumas roupas que precisem de ajustes. Algo do tipo: “A roupa é bonita e elegante, não é brega, mas para ficar modesta é bom que se use um bolero”.




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